A genialidade de Fleabag

De uns anos pra cá, o número de séries em que o protagonista (na maioria dos casos) é o criador, roteirista, produtor executivo, enfim, tudo. E de seriados dessa forma, temos belos exemplos: Atlanta, Master of None, Girls, After Life, entre outros. E nessa onda, lá em 2016, surgiu Fleabag.


Com uma premissa relativamente simples, a série conta a história da Fleabag (Phoebe Waller-Bridge), uma mulher que perdeu a mãe e a melhor amiga, tem um café quase falindo e uma família totalmente estranha, pra dizer o mínimo.


Mas o que faz toda a diferença nessa série é o texto, além das brilhantes quebras de quarta parede. O trabalho da é incrível e não tem como não amar. Os diálogos extremamente bem escritos que formam cenas totalmente causadoras de vergonha alheia ou de vontade de abraçar a nossa querida protagonista.


Digo com tranquilidade que desde a primeira olhada pra câmera eu me apaixonei! No piloto a série já entrega que não veio para ser delicada, ou pra ser mais meramente engraçadinha, ela veio pra ser diferente. A atriz carrega a série nas costas e nos mostra a cada episódio, mais uma camada mais interessante que a outra.

Pra não dizer que elogio apenas ela, a irmã também é ótima. Elas têm uma relação totalmente disfuncional, mas que funciona. Apesar de serem totalmente diferentes, elas se completam de um jeito bizarro, e principalmente se apoiam quando necessitam. Prova disso é a frase dita no último episódio : ”a única pessoa por quem eu correria até o aeroporto seria você”.

Importante falar também da maravilhosa Olivia Colman, que interpreta a pior madrasta que já vi. E olha que esse é um grande clichê da mídia! Essa personagem tem a capacidade de fazer uma crítica a uma pessoa com o maior sorriso no rosto. Sendo totalmente agressiva com todo os personagens, ela rouba a cena todas as vezes que aparece. Mérito todo da atriz, que inclusive está indicada ao Emmy desse ano.

Um grande feito dessa série que quase não vemos por aí é que a segunda temporada conseguiu ser ainda melhor que a primeira. Na primeira o foco é mais em nos apresentar a personagem, e contar um pouco da sua história. Na segunda, que tem uma das melhores premieres de série que já vi, o arco se torna totalmente diferente, e se aprofunda um pouco mais na comédia e nos apresenta alguns personagens novos, o ”padre gato e descolado” interpretado pelo Andrew Scott.

Ele é o único personagem que nota quando ela quebra a quarta parede e as cenas são incríveis. E a direção está impecável. A maneira como os dois interagem trazem aquele desconforto e toda aquela sensação de que vai dar merda, e faz torcer pra acontecer.

Para escrever esse texto pesquisei e procurei defeito nesse seriado, mas não encontrei! Eu não sou a maior fã do humor britânico, mas essa me fez morder a língua. Fleabag me conquistou com todas as suas caretas e diálogos com a câmera, toda o seu humor afiado e levemente constrangedor. E caso você ainda não tenha sido instigado, as temporadas têm apenas 6 episódios com duração de 25 minutos. Importante mencionar também que a série obteve indicação de melhor série de comédia, direção, roteiro, elenco, sem falar das categorias técnicas e as premiações de atuação para a protagonista e coadjuvantes.

A série não tem somente o humor escrachado, e sim aquele ”humor inteligente”, e um pouco sem noção, porém, como também é uma espécie de dramédia, não é repleto de piadas forçando a barra o tempo todo. Fleabag é aquela série que agrada não só os amantes de comédia, mas os de drama também

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