Era uma vez…em Hollywood fala sobre escolhas

ALERTA DE SPOILER

A expectativa para Era uma vez… em Hollywood era gigantesca, mais um filme do Tarantino, elenco estrelado e uma história que prometia ser uma das melhores do diretor, de certa forma, fomos surpreendidos. Fomos apresentados no cinema  ao roteiro menos sangrento e com escolhas totalmente diferentes de outras obras, Tarantino decidiu falar de si e levou o público junto.

O filme é longo, mas que se distribui tão organicamente que nem sentimos o tempo passar, os arcos dos três personagens principais representam dois momentos completamente opostos na carreira de um ator. O núcleo de Leonardo Di Caprio e Brad Pitt mostra a progressão de uma carreira que não está mais no auge, os dois amigos chegaram a um estágio de sua vida adulta em que tudo é diferente do que ambos imaginaram para a carreira, é uma crise de meia idade ambientada em Hollywood. Os primeiros 30 minutos já mostram o verdadeiro tom do filme e parece que ouvimos Tarantino nos dizendo “calma, dessa vez vamos fazer algo diferente”.

Margot Robbie representa o completo oposto, ascensão e sonhos, festas em mansões e relacionamentos duradouros, a predominância de cores douradas na personagem explicitam o momento da carreira de Sharon Tate, e entre nuances demonstrando sua imperfeição, por exemplo, quando ela é mostrada roncando.  Margot faz uma atuação interessante, com poucas falas, seus movimentos corporais mostram muito mais sobre a protagonista.

Tudo isso foi o diretor que escolheu, ele decidiu mostrar mais do que falar, seus diálogos incansáveis são trocados por monólogos dinâmicos com imagens exemplificando a situação, nisso, somos apresentados a diversos estilos de cinema e gradativamente vamos entrando naquele mundinho que usa uma história real como pano fundo. 

Em algum momento achamos que aquilo tudo vai se interligar, mas vai ficando perceptível que vamos somente passear por aquela história, Sharon Tate e Charles Manson somente se encontram em um pequeno momento do filme e somente quem sabia de antemão a história original entendeu o peso dessa cena, essa foi uma tônica do filme de qualquer forma, você precisava saber a terrível história original para entender a magnitude e impacto de algumas cenas. Foi uma decisão ousada e que pode não ter funcionado para certas pessoas, mas foi uma escolha, Tarantino foi contra até seu público cativo quando diminuiu drasticamente as cenas sangrentas da obra. Escolhas.

O final é subversivo, muda totalmente o desfecho sangrento da história real e nos deixa em êxtase, aqueles personagens que aprendemos a amar e torcer sobrevivem, mas de novo, talvez não funcione com alguns espectadores. É um conto de fadas, com moral da história e final feliz ao modo Tarantino de ser.

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