Mindhunter – Análise da Segunda Temporada

Depois de quase 2 anos de espera, tivemos o retorno de Mindhunter. Com uma quantidade reduzida de episódios, a segunda temporada trouxe algumas novas importantes reflexões e manteve alguns plots que ficaram em aberto.

O início da temporada já nos conta exatamente o que aconteceu com Holden, dando a entender que seu ataque de pânico pode vir a se repetir, e aí foi um ponto que me deixou na vontade. Bill só descobre o que aconteceu um pouco depois da Wendy, que tem uma cena muito interessante com Holden. Importante que o local serve para outras cenas e para o plot dela.

Um fator surpreendente é que Holden foi bem sem a companhia de Bill, e a série só nos enganou dando a entender que ele iria ter crises de ansiedade durante alguma entrevista ou interrogatório. Gostei muito das interações dele com o Jim , principalmente pelo fato dele insistir no perfil teorizado por ele de que o assassino ser negro. Os diálogos com as mães dos meninos também foram muito bem escritos e deixaram muitas reflexões.

Uma coisa que pra mim deixou a desejar foi o mistério do BTK. Aplicaram o famoso ”esquecido no churrasco”, porque no decorrer da temporada o foco vai se movendo para Atlanta em paralelo com as entrevistas conduzidas pela Wendy e pelo Greg. Ele realmente não tem jeito para a coisa, mas espero que explorem outros lados desse personagem. Por outro lado, exploram muito bem a personagem da Wendy . Aquela cena em que para conseguir cativar o preso, ela conta a sua história pessoal, mas disfarçada de mentira foi de uma sutileza e de prender a atenção de forma maravilhosa.

Devo dizer que esperava um pouco mais do seu romance, e que a personagem se resolvesse com a namorada, mas creio que o plot serviu mais para conhecermos um pouco melhor a personagem, as suas nuances, com uma dose de crítica para nos fazer refletir sobre preconceito e as dificuldades de ser uma mulher lésbica naquela época.

O plot mais interessante da temporada, porém, foi o do nosso protagonista, Bill. O coitado não tem um descanso. Na primeira temporada a série nos apresenta a possibilidade de ter algo estranho com o seu filho, mas não esperava que o menino já fosse aprontar assim tão jovem. Eu digo que foi mais interessante não porque os outros acontecimentos não fossem bons, mas porque a gente se apegou ao personagem, e juntamente com Holden fixo em Atlanta e ele nas idas e vindas, eles constroem muito bem o mistério dos meninos negros e os problemas pessoais de Bill.

De forma geral, a temporada manteve o nível da primeira, e tratou de forma muito intrigante todas as histórias e até mesmo as entrevistas, que apesar de ficarem meio apagadas, nos deixou vidrados em algumas, como por exemplo a de Charles Manson. Eu não conseguia nem piscar conforme ele ia falando e Bill reagia de forma inesperada para o seu habitual, visto que se relacionava com o que estava vivendo. E Holden como sempre hipnotizado e nem disfarçando a empolgação.

Creio que se a série tivesse optado por um número de 10 episódios talvez o arco se fecharia de uma forma melhor, mas pra mim o final além de ser bem chocante, foi satisfatório e deixou aquele ar de mistério que nos prende para uma próxima temporada. Em meio a tantos altos e baixos da Netflix, essa série é um acerto!

P.S: Muito legal a cena em que Holden se arruma todo achando que ia ter um date. Expectativa x realidade!
P.S 2: Até hoje o caso dos meninos negros de Atlanta não foram resolvidos. Mais uma reflexão que a série traz, e pra vermos como muita coisa continua igual em 2019.

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